segunda-feira, abril 30, 2012

Déficit de mim mesma!

Os momentos que recorro à escrita são muito similares. As sensações presentes nestes momentos são bem parecidas: coração apertado e vontade de mudar algumas condições.
Agora não será diferente. O coração apertou, a boca calou e a angústia adentrou. Eis os dias em que o chocolate tem sido o melhor amigo e o frio tem congelado os sorrisos, levando-me a dias superados e não vivenciados.
Infelizmente, sinto-me só. Sem eira, nem beira. E estas são consequências de algumas escolhas, não há como negar.
Somos produto daquilo que escolhemos, que fazemos, do modo que agimos. Sinto agora, a angústia de algumas ausências. Vejo-me pouco completa ou, quem sabe, um tanto vazia. Não sei bem como agir e nem sequer pra onde correr. Tenho vivido sobre esquivas, tenho adiado tantas vivências, postergado sentimentos de felicidade. Agora vejo que é pouco isso tudo. Sinto que é pouco. Vivo o pouco.
Os dias têm se resumido em momentos pouco extasiantes, pouco surreais. Sinto falta da gargalhada profunda, de abraços apertados, de encantamento com novas realidades, de suspiros mais fortes.
Tenho reduzido-me e isso tem gerado preocupação e desconforto.
Algumas coisas já não tenho mais, alguns reforçadores deixei de produzir. Perdi alguns carinhos e reconhecimento, tenho vivido em déficit.
Déficit de mim mesma!
Que estranho, como soa absurdo. Não tenho vivido pra mim, nem escolhido por mim. Os rios têm me levado pra águas geladas e torrentes desconhecidas. Sinto medo do produto final.
Sinto medo sem saber pra onde as águas me levarão... as águas do rio que eu mesma escolhi me banhar.
Tenho receio de não encontrar o mar para em fim, poder descansar na praia.
O túnel parece ter apagado as luzes e eu continuo caminhando, sem ter ao menos a companhia de minha sombra, mas continuo caminhando...
...onde estará o interruptor?


domingo, abril 08, 2012

Stop!

Hora de acalmar os ânimos e tentar sentir-me mais perto de mim mesma. Os dias voam tumultuados e tudo pede mais de nós, de mim. Há pouco tempo para buscar olhar meu próprio reflexo, enxergar além daquilo que todos veem. Ao contemplar meu reflexo posso ver além da fotografia que exponho mundo a fora: vejo diferentes resquícios que o mundo implanta, dia-a-dia. Vejo diferentes pensamentos e inúmeras vontades. Vejo temores e incertezas que fazem as pernas tremerem e o coração palpitar. Vejo desafios a serem desbravados... mas vejo a coragem escondendo-se atrás de um olhar triste.
Há pouco a ser ensinado acerca de como devemos lidar com nossos sentimentos, com nossas queixas e com nossas tribulações. Achamos maneiras de remanejar alguns incômodos, mas na verdade o que devemos encontrar são as verdades pelas quais impulsionaremos a vida. E estas verdade parecem cada dia mais escondidas...Não sei se se escondem em cada um de nós ou por onde passamos, quem sabe nas pessoas que pela vida encontramos.
A vida se mostra um eterno jogo de pique-esconde... e eis-me com os olhos vendados, contando os segundos para desbravar tudo aquilo que está escondido.
Estamos cercados de segredos que devem ser descobertos ao final de cada fase de nossa vida. E a cada trecho avançado somos expostos à possibilidade de olhar o percurso traçado e descobrir inúmeras surpresas.
Sinto-me embutida neste grande caixote que é o mundo, e como uma peça ali implantada devo honrar meu lugar, minha existência. E aí está a grande dificuldade: manter a luz acesa quando a resistência parece tão falha, manter-se forte quando o que queremos é ter a possibilidade de sentir-se fraco, também.

1, 2, 3e já!
É hora de destapar os olhos e procurar os reforçadores que estão escondidos por entre nossos medos, por entre as novidades, por entre as pessoas ou dentro de nós mesmos. Devemos ser fonte fértil de reforçadores para nós mesmos, além daqueles oferecidos externamente. Preciso enxergar em mim a capacidade de ser eu mesma, de me aceitar e de entender a própria dinâmica que cultivei. Devo ser capaz de voltar meu olhar a mim mesma por mais vezes, de modo a enxergar segredos visíveis somente com um olhar além. 

Busco o dia em que diante da vontade de chorar, chorarei. De alegria ou de tristeza. Chorarei, na hora e no momento em que as lágrimas ofuscarem minha visão.
Isso é  luxo, pode dar conta de quem somos, na hora em que mais precisamos nos sentir, de verdade.




domingo, março 04, 2012

Desafio para gigantes

É inacreditável, e tipicamente humana, a capacidade que temos de fazer relações entre inúmeros eventos. E é por meio destas relações e associações que somos capazes de viver em sociedade, dentro de um grupo, no qual adquirimos diversos comportamentos e aprendizados. Não sei bem até que ponto algumas características humanas podem nos propiciar superioridade. Somos totalmente voláteis e pouco dominadores de nós mesmos.
Somos controlados por diferentes eventos inclusive por nós mesmos.
Nos colocamos tristes e nos colocamos alegres. Difícil mencionar o porquê, mas somos capazes de estabelecer relações que nos encaminha para momentos não muito agradáveis, e a dificuldade está em lidar com eles, afinal a felicidade pouco nos confunde.
Vivo agora o desafio de lidar com a sensação de que estou só.
As coisas parecem acontecer com pouco sentido, vazias de propósitos. Perde-se a qualidade de boas relações e busca-se relações interesseiras. Pensar em algumas situações e avaliá-las garante a dificuldade de 
 conviver com alguns sentimentos, alguns medos e ou algumas frustrações.
 Não sei o motivo de traçar algumas relações e nem pretendo fazer análises funcionais a respeito, sei que duvido de algumas habilidades pessoais ou pelo menos interrogo a capacidade de algumas habilidades serem motivo de algumas aproximações.
Surgem momentos que muito soa punitivo e pouco soa como reforçador. Não sei bem como traçar ou lidar com diferentes eventos. Alguns incômodos parecem irrisórios mas são verdadeiros, devem ser respeitados, mas como expôr?
Viver parece realmente ser um desafio para gigantes, por isso concluo que sou apenas uma criança. O autoconhecimento sem dúvidas é uma arma que nos põe mais protegidos de nós mesmos. Embora sejamos sempre um labirinto que de tempos em tempos vivenciará colisões.

domingo, janeiro 01, 2012

Horas recém-nascidas

É chegado 2012,
E ao venerar estas horas recém-nascidas pude perceber o quão diferentes as coisas vão se tornando, percorrendo um ciclo, tomando corpo, do mesmo modo que estas singelas horas tornarão-se um dia.
Me lembro de quando era pequenina, e de como imaginava que seria este futuro que hoje está tão presente.  Passaram-se pessoas e passaram-se momentos. O que era distante por ser pensamento futuro, agora está distante por ser pensamento passado.
E é pensando em tudo isto que me assustei com a capacidade que temos de lidar com o tempo. Somos regidos por diversos partilhamentos de um tempo que é tão subjetivo. E pautados neste tempo desabrochamos e crescemos,como uma flor, retirando o máximo necessário de onde estamos fincados.
Hoje eu sinto, em minha condição de flor, que estou no estágio em que o caule torna-se firme e pode sustentar, pouco a pouco, o miolo. Aguardo ansiosamente o dia em que, enfim, estarei exibindo lindas pétalas!
E diante de tudo isto, é impossível deixar de notar que os dias estão cada vez mais curtos e a sensação é de que o tempo tem alçado voo. O tempo determinado, que somos obrigados a respeitar, tem se fundido com um tempo imensurável, aquele que alegamos ser "subjetivo". Tudo parece estar correndo e não mais caminhando.
O amanhã num piscar de olhos torna-se ontem, e o hoje infelizmente torna-se pretérito.
E é desta forma que o futuro, hoje, toma forma de presente. Rasga o papel da fantasia e assume a condição de realidade.
E mesmo sentindo tudo rápido demais devo dizer: vagarosidade me incomoda, portanto, que venham dias avassaladores!
Agora é hora de reprogramarmos nossas máquina individuais, e erguermo-nos para uma nova batalha.
Tudo se renova e mesmo o que é do antes torna-se do agora. E é assim que devemos encarar estes dias que seguirão: o que se arrastou para o novo ano deve vestir-se de roupas novas, ideias novas e tratos diferentes. Assim, é possível acolher ao novo e recriar o velho e indispensável.

Um brinde ao novo ano!  Um brinde à vida!

Luz!

quarta-feira, dezembro 21, 2011

O que tem pra hoje?

Desde que ouvi esta frase percebi o quão cheia de sentido ela é. E a partir daí tenho tentado viver meus dias pautados sobre ela. Devo dizer que não é nada fácil, mas ajuda, e como ajuda!
A nossa fragilidade, tipicamente humana, nos remete sempre a querer o que não temos e esquecemos, justamente, do que nos cabe em cada momento - o que tem pra hoje. Tomar esta frase como bússola diária integra a nossa vivência um ingrediente fundamental: foco.
E à medida que tratamos com prioridade o que deve ser resolvido (o que deve ser chorado, o que deve ser rasgado e o que deve ser anulado) facilitamos a gênese de muitas soluções.
Passei por uma experiência muito ruim estes tempos. E essa experiência é daquelas que vem para dar uma balançada em você e apontar muitas coisas.
Vivenciar uma pessoa levando de você tudo aquilo conseguido dia após dia, com esforço, carinho e esmero não é nada confortável. Vi ir embora, da maneira mais fácil e torpe, todo o pouco do Meu mundo conquistado.
E são estes acontecimentos, infelizmente,  que nos abrem os olhos. Percebi que não sou a mulher maravilha que pode se defender de tudo; descobri que ninguém é tão auto-suficiente que não precise dos cuidados de outro alguém. E como dizem popularmente: vão-se os anéis ficam os dedos.
Diante da bolsa perdida e de todo o conteúdo material que me levaram; diante da decepção comigo mesma e  da necessidade de reconquistar tudo novamente me restou uma coisa: chorar.
Chorei por uma noite.
Ao amanhecer muitas coisas deveriam ser resolvidas. E então surge a grande necessidade de avaliar prioridades e traçar possibilidades. Foi necessário ter foco, muito foco.
Escrever listas e reconquistar item por item. Na verdade não valeria chorar mais pelo que foi embora, eu tinha que tratar prioritariamente o que eu tinha para cada dia.
Sequei as lágrimas e aceitei que tudo deveria ser reconquistado novamente. E busco, ainda, a cada dia, reconquistar o que se foi e conquistar o que deve vir. Mas devo dizer que ter foco às vezes nos faz ocultar sentimentos, engolir o choro. Até que ponto vale ser forte? 
Não sei a resposta, mas sei que ter  foco nos faz enxergar muitas coisas com mais clareza. ajuda-nos a pular das nuvens e pensar no real, tratar de fatos sem maquiá-los de modo que pareçam mais doces ou aceitáveis.
Não sei se chorei o necessário, não sei se xinguei o desejado. Mas sei que tenho reconquistado pouco a pouco, grão por grão.
Com tudo isso justifico o uso da minha nova bússola. Norteio meus dias dessa forma, aceito as contingências dessa forma. 
E você, o que tem pra hoje?

quarta-feira, novembro 16, 2011

Coberta de mel

Não sei bem o que escrever e nem sei bem o que é isso que estou sentindo. Mas na verdade não podia deixar de retratar a estranha sensação que tenho em mim hoje.
Senti um vazio enorme em mim, era a sensação de estar perdendo tantas coisas. Perdendo tempo de ocupar aquilo que chamam, por aí, de coração. Ele me pareceu tão solitário hoje. O dia estava frio e por isso ele me pareceu ainda mais encolhido.
Comecei a pensar na capacidade de algumas pessoas de se entregar e viver realmente um amor, mesmo que efêmero, mesmo que por algumas horas, algumas semanas ou, quem sabe, alguns meses. Admirei-as, com uma ponta de inveja. E pude sentir minha covardia.
Covardia de não permitir que alguém se integrasse à minha vida e me ajudasse a fazer dela ainda mais colorida. Covardia de não deixar minha cara à tapa para poder ser feliz ou poder me frustrar.
Não sei bem se o que estou falando tem sentido realmente, pois minhas escolhas são pautadas no que realmente quero pra mim, durante cada fase. E esta foi minha escolha!
Acredito que tudo isso tenha sido uma situação passageira. A falta de um 'bom dia' carinhoso, de um 'boa noite' amável, de um abraço acalentador. Quem sabe sentir aquela sensação de borboletas no estômago...
Meus pensamentos estavam divididos entre as questões da avaliação semestral e minha inconstância. Aquela figura em minha frente, roendo as unhas, deixou-me ainda mais aflita, era como estivéssemos sentindo os mesmos medos.
ééé...
Como visto, hoje a dama de ferro está coberta de mel.
Já tomei um banho, espero estar menos doce.

domingo, novembro 13, 2011

Bom ou mau, ajuda a viver

Estava pensando, durante este tempo que fiquei longe das palavras, no que seria relevante escrever. Assim, pude olhar pra mim mesma, olhar para tudo o que tem acontecido e o que tem me feito pensar. Descobri, então, como adotei para este ano e, consequentemente, para minha vida, algo que me impulsionasse. Foi necessário, mesmo que sem consciência, adotar algo que fizesse meus dias passarem mais rápido e fossem menos cansativos; visando sempre àquele momento de tranquilidade, de coração acelerado, de encantamento.
E chegado aos últimos suspiros deste ano, notei como isso tudo me ajudou. Me ajudou a descobrir algo que me identifiquei, me ajudou a sorrir de mim mesma, bem como ajudou aos outros sorrirem de mim.
E descobri também, que seja a idade que for, estamos sempre sujeitos a voltar àquela criança apaixonada por amores platônicos.
Mas agora, estes amores têm outras funções. Não sei se boas, não sei se ruins. Sei que ajudam a viver!
Ah, e como ajudam!
As palpitações no coração me serviram de impulso para caminhar, para continuar e seguir em frente. As palavras reforçadoras me ajudaram a enxergar que existem qualidades em mim que ainda devo reconhecer. E mais que isso, despertou um potencial que muito deve ser lapidado.
Cada sorriso por acontecimentos mínimos, cada minuto pensando em coisas impalpáveis, cada estratégia impraticável... Como isso tudo me fez bem!
De certa forma, e da forma mais louca possível, devo dizer que a fantasia substituiu o calor de um cafuné verdadeiro, acalentou um coração aflito e abraçou meu cansaço.
Me ajudou, me motivou, me impulsionou e me tranquilizou... e por isso, sei que não é loucura.  Reconheço apenas a transparência de ser quem sou, vejo a beleza de me permitir sentir o que realmente eu sinto, mesmo que aos olhos dos outros pareça o mais insano possível.
E pra tudo isso visualizo diferentes rumos. A concretização. A frustração ligada à transformação. E a sublimação.
A concretização implicará em uma luta grandiosa.
A frustração será, com toda a certeza, superada.  Afinal, estou aqui aprendendo a cada dia como lidar com elas. A transformação virá da descoberta de que existem outras coisa que me agradam.
E a sublimação será o passar da tempo, será a água sobre o fogo e a fumaça se disseminando.
E assim, busco a cada dia, motivos para sorrir, motivos para caminhar, fantasias para me encantar.
Vivencio agora meu conto de fadas. Que além de romantizado é platônico!

Mas eu sei, e como eu sei: bom ou mau, ajuda a viver.. isso que me importa!

quarta-feira, setembro 07, 2011

Arquipélago

Como forma de fuga aqui estou eu. Meu coração, hoje, dói. E dói bastante.
Estou me sentindo como um passarinho que se perdeu do ninho e foi parar em mãos estranhas. Sinto que me perdi de mim e estou a vagar em um lugar desconhecido de mim mesma, sem ter onde segurar ou sequer alguém para me referenciar.
É como se tudo estivesse passando pelos meus olhos na forma rápida de um vídeo. Eu não consigo intervir, são acontecimentos rápidos demais, impalpáveis. Mas, ao mesmo tempo, tudo isso acontece de forma vagarosa, dando-me possibilidades de escolhas como se tudo fosse produto de mim mesma. Eis-me em um grande paradoxo.
O que eu gostaria agora é de ter um minuto pra poder chorar, deixando que as lágrimas percorram meu rosto até senti-las morrer sobre meu corpo. Elas seriam representantes da minha inquietação interior, seriam matéria da minha insegurança e prova viva do meu sentimento.
Estou à margem de mim mesma, quem eu penso ser é o oposto do que os outros pensam que sou. Não sei mais até que ponto estou sendo congruente comigo mesma; sinto-me distante de mim. Não sei lidar com o que penso e assusto-me com meu reflexo. Quem sou eu na verdade?
Sentir-me revelada por outra pessoa é como quebrar um espelho com minha imagem.
Qual a minha verdade? A que consigo observar, a que sinto impulsionar minhas atitudes ou é aquela que parte de uma observação externa?
Eu sou aquela que dizem que sou?
Existem momentos que tudo parece pesar mais, cansar mais, doer mais. Não sei como lidar com tudo isso: vejo minhas ações serem interpretadas de outra forma, vejo minhas decisões serem pouco respeitadas, vejo minhas verdades serem escondidas, tampadas e esquecidas. Imagino-me como refém de mim mesma. Estou insegura do que sou, sinto-me fraca para me procurar e vejo-me covarde para encarar minhas descobertas.
Não sei como me defender e nem tenho argumentos para isso mas, ao mesmo tempo tenho diversas cartas na manga para justificar-me. Estou assim, em uma ilha perdida. Inacessível! Posso sentir a água fria batendo em minhas estruturas e minando o medo.
Sou um arquipélago dentro mim mesma.
A pedra que qualquer pessoa atirar em mim, agora, vai doer em proporções incalculáveis. O ideal seria andar com um aviso de que minha fragilidade está à flor da pele.
É preciso buscar novas forças, renovar meu repertório, encontrar reforço positivo em mim mesma. É o momento para construir meu telhado com material confiável, firme e infalível. Mas para isso preciso de ajudantes de obra e o que vivencio hoje a a máxima de Sartre "O inferno são os outros". Em quem confiar, em quem buscar ajuda, em que colo sentir-me amada?
Talvez as consequências de meus atos tem sido pouco reforçadoras.
É hora de repensar!


"Daqui desse momento,
do meu olhar pra fora o
mundo é só miragem.
A sombra do futuro a sobra
do passado
assombram a paisagem.
Que vai virar o jogo e transformar a perda em nossa recompensa?
Quando eu olhar pro lado eu quer estar cercado só de quem me interessa (...)"

quarta-feira, julho 27, 2011

Balanço semestral

Hoje me dei conta de como o tempo está passando rápido, a verdade é que ele está voando!
Acabou o primeiro semestre, minhas férias estão se encaminhando ao fim e logo começará o segundo round anual. Ao longo deste ano vivi experiências deliciosas, algumas já pude compartilhar aqui, algumas outras acabaram passando despercebidas. Caracterizaria este período como um período massificante e enobrecedor. 
Na faculdade me aproximei de matérias encantadoras que demonstram total sentido para mim e para o meu modo de pensar. Houve momentos em que estar ouvindo um mestre que ministrava a aula era algo delirante, enobrecedor.. e devo confessar: não sei o porquê, mas até algumas tímidas lágrimas rolaram. Que tola, eu!
Apesar de todo o prazer sentido diante de todo o aprendizado que agregava, junto a tudo isto estava também o cansaço. A cobrança tornou-se ainda maior e eu, com minha indelicada característica centralizadora, tomei um fardo de responsabilidades sobre as costas. Me desdobrei e inscrevi o melhor de mim em cada atividade solicitada, em cada trabalho penoso e em cada relatório desafiador. O resultado foi bárbaro e constatei que se não houvesse ali, em cada momento, a minha atitude centralizadora não sobrariam grandes resultados. Conclusão egoísta?! Um pouco! Mas pude descobrir que em tempos como estes ou você toma a frente ou o tempo atropela você.. optei por conduzir.
Uma vez solicitaram que eu completasse uma frase, em uma situação de dinâmica de grupo, que dizia o seguinte: "fico feliz toda vez que.." Impulsivamente completei: "aprendo algo" Quando tive que relatar o que havia completado achei a frase um tanto quanto estranha, meio diferente de tudo o que disseram. Mas hoje, escrevendo notei que fui verdadeira quando impulsivamente completei daquela forma a frase, do contrário não derramaria sequer uma lágrima ao ouvir conteúdos de aula, ou não saltaria montanhas diante dos elogios de um mestre. Pois é, eu AMO aprender! E estou adorando cada conteúdo exposto e mergulhando neste universo que escolhi: Psicologia.
Paralelo às descobertas letivas obtive também um grande crescimento nas atividades desempenhadas por mim na área profissional. Pude estabelecer uma ponte mais sólida entre a teoria e a prática, agregando um olhar crítico e observador. Assim, pude discriminar situações e aprender com o que cada uma delas me propunha. Me posicionei de maneiras diferentes alternando momentos em que eu deveria ser aprendiz e momentos em que eu poderia colaborar com um olhar diferenciado.. e que gratificante é isso, compartilhar o que sabemos! Estabeleci um vínculo maior com as crianças e desenvolvi maiores habilidades para trabalhar com elas -  e para elas - e posso ver, agora, um trabalho mais rico com potencial para agregar novos aprendizados. Agora posso afirmar com propriedade como é delicioso trabalhar com os pequeninos, poder facilitar o conhecimento e torná-los mais propenso ao crescimento, é algo inexplicável.
Em relação a minha condição de catequista, devo dizer que não tenho esforçado-me suficientemente o quanto deveria, porém tenho conseguido na maioria das vezes estreitar os laços entre o que aprendo em sala de aula e o que proponho a eles, aos domingos. Soa meio estranho falar de Psicologia, mesmo de modo bem raso, com jovens que acham tudo pouco importante e desnecessário. Mas sei que fará diferença tudo isso, logo, logo! Para o próximo semestre pretendo explanar meu olhar sobre o aprendizado deles e tentar ao máximo facilitar e tornar significante cada momento.
Na dança posso dizer que tenho evoluído e aumentado minha experiência. Vivi um delicioso momento há pouco, que foi a minha primeira aula, não é segredo a minha paixão por ensinar, mas este foi um desfio que se tornará maior logo mais. Devo dizer que não tenho estado satisfeita com meu rendimento, tenho esbarrado com algumas limitações que tem me desmotivado um pouco, mas espero ansiosamente superá-las. Apesar dos elogios que ouço, e que vêm de forma espontânea sei que é incompatível com que espero de mim. Preciso melhorar, mas esbarro com tantas opções que fiz e com as contingências que devo seguir, mas não posso dificultar, devo sempre procurar simplificar.. eis o desafio!
Minhas férias, apesar de inicialmente ter sido planejada, não fui fiel ao que planejei... mas foram deliciosas! Pude sentir mais próximo de mim o amor que sinto pela minha família e por quem a compõe. E é muito importante eu dizer: tenho sentido cada vez mais a necessidade de estar perto de cada um deles - pais, irmãos - e compartilhar com eles a transformação do meu Eu; meu crescimento. E quão positiva tem sido esta experiência, é como tornar mais leve o fardo do dia-a-dia e a pressão que sofremos de todos os lados. Edifica e vivifica... torna mais perto os meus, estreita laços.
Devo dizer que senti saudades da loucura diária, das aulas, das descobertas e de compartilhar meus dias com tantas pessoas que não vi durante este mês, estou ansiosa para o segundo semestre, mas sei que será mais pesado que este que se passou, mas adoro desafios! Devo dizer também que os dias passaram rápido e logo tudo reiniciará, mas foi de grande valia o sono debitado, o descanso e o reencontro com amigas antigas. Coisas assim só se faz em época de férias, mesmo.
Olhando para trás vejo um semestre grandiosamente positivo, próspero e semeador de boas ideias, condutas e experiência.
Posso querer algo melhor?
Sim! Quero um segundo semestre esplêndido, cheio de luz e novas descobertas. Adoro a sensação de engatinhar e em seguida constatar que aprendi a dar os primeiros passos..

Eis a vida,
avante!





PS.: É importante lembrar que com tudo isso, todo este trajeto percorrido me dei conta de que faltou espaço para um cafuné em minha cabeça. Ou melhor, faltou espaço para que houvesse alguém para um cafuné. Eis a dama de ferro...

domingo, julho 03, 2011

É preciso tentar!

E hoje após longos dias sem nenhuma produção, sem tempo e cansada para qualquer inspiração, estou aqui partindo de uma inspiração exterior, uma sugestão. A responsabilidade parece ainda maior quando há uma expectativa acerca do tema, mas "tentarei".
Inclusive, a temática de hoje é essa: tentar!
Há um tempo venho observando minhas atitudes e tenho notado grande discrepância entre o que proponho, o que aconselho e o que pratico. É bastante fácil apontar aos outros a necessidade de encarar o que se quer e investir nisso, daí emitimos a famosa frase: "É preciso tentar!".
Pois é, bastante fácil falar. E fazer? Aí está o desafio!
E analisando-me, como falei, vejo que neste quesito venho falhando. Desde sempre. Ao mesmo tempo em que apresento uma estrutura rígida, perspicaz, guerreira e determinada tenho em mim grandes medos e incertezas. É como um paradoxo, mas sou assim. À medida que tenho grande propulsão a lutar pelo que quero, tenho proporcionalmente, grande covardia em outros quesitos. E prefiro nem citá-los!
Por isso, acredito no grande mistério que cada ser humano carrega. Há muitas mais facetas além do que se apresenta. A verdade, por vezes, constitui-se de um grande contrário do que observamos e eu me julgo uma verdade oculta. Nem tudo o que se vê é o que realmente se é. Mas está aí o grande segredo da Psicologia: ir além do que se pode ver. Além de palavras, além de comportamentos observáveis, além preconceitos, crenças e opiniões. É preciso enxergar mais e pensar como o outro pensaria. Que desafio!
E neste sentido, venho utilizando disto ao comparar o que digo e o que faço. Soa muito fácil e me parece totalmente lógico agir de acordo com nossas vontades, porém, a assertividade tem passado um pouco longe dos meus comportamentos. E por quê?
Porque tenho conservas que ainda não me permitem ser totalmente assertiva. Existem eventos influenciadores que se tornam grandes condições coercitivas que tem total controle sobre mim. Renego minhas vontades de gritar, quando critico o grito de alguém, assim me escondo em meu próprio eu tornando-me de mais difícil acesso, quando na verdade o simples é o que me atrai. Seria tudo mais fácil se fôssemos menos controlados, menos vistos, menos notados... teríamos um livre cursar do próprio Eu. Que maravilha! E que utopia... Mas acredito que tudo passará, assim como tudo sempre passa. Como dizem em um verso de uma música: "Nada nesta vida é pra sempre até que prove o contrário..." me apego nisto, e procuro mudança até que enfim, eu possa realmente tentar tudo o que desejo, na medida em que posso realizar.Mas, propriamente, tentar.
Me entregar.
Me permitir.
E me deixar encantar.
Por isso, me olhe sempre com um olhar que penetre águas mais profundas: sou um mar aberto.








E você, tem tentado?

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