quarta-feira, julho 27, 2011

Balanço semestral

Hoje me dei conta de como o tempo está passando rápido, a verdade é que ele está voando!
Acabou o primeiro semestre, minhas férias estão se encaminhando ao fim e logo começará o segundo round anual. Ao longo deste ano vivi experiências deliciosas, algumas já pude compartilhar aqui, algumas outras acabaram passando despercebidas. Caracterizaria este período como um período massificante e enobrecedor. 
Na faculdade me aproximei de matérias encantadoras que demonstram total sentido para mim e para o meu modo de pensar. Houve momentos em que estar ouvindo um mestre que ministrava a aula era algo delirante, enobrecedor.. e devo confessar: não sei o porquê, mas até algumas tímidas lágrimas rolaram. Que tola, eu!
Apesar de todo o prazer sentido diante de todo o aprendizado que agregava, junto a tudo isto estava também o cansaço. A cobrança tornou-se ainda maior e eu, com minha indelicada característica centralizadora, tomei um fardo de responsabilidades sobre as costas. Me desdobrei e inscrevi o melhor de mim em cada atividade solicitada, em cada trabalho penoso e em cada relatório desafiador. O resultado foi bárbaro e constatei que se não houvesse ali, em cada momento, a minha atitude centralizadora não sobrariam grandes resultados. Conclusão egoísta?! Um pouco! Mas pude descobrir que em tempos como estes ou você toma a frente ou o tempo atropela você.. optei por conduzir.
Uma vez solicitaram que eu completasse uma frase, em uma situação de dinâmica de grupo, que dizia o seguinte: "fico feliz toda vez que.." Impulsivamente completei: "aprendo algo" Quando tive que relatar o que havia completado achei a frase um tanto quanto estranha, meio diferente de tudo o que disseram. Mas hoje, escrevendo notei que fui verdadeira quando impulsivamente completei daquela forma a frase, do contrário não derramaria sequer uma lágrima ao ouvir conteúdos de aula, ou não saltaria montanhas diante dos elogios de um mestre. Pois é, eu AMO aprender! E estou adorando cada conteúdo exposto e mergulhando neste universo que escolhi: Psicologia.
Paralelo às descobertas letivas obtive também um grande crescimento nas atividades desempenhadas por mim na área profissional. Pude estabelecer uma ponte mais sólida entre a teoria e a prática, agregando um olhar crítico e observador. Assim, pude discriminar situações e aprender com o que cada uma delas me propunha. Me posicionei de maneiras diferentes alternando momentos em que eu deveria ser aprendiz e momentos em que eu poderia colaborar com um olhar diferenciado.. e que gratificante é isso, compartilhar o que sabemos! Estabeleci um vínculo maior com as crianças e desenvolvi maiores habilidades para trabalhar com elas -  e para elas - e posso ver, agora, um trabalho mais rico com potencial para agregar novos aprendizados. Agora posso afirmar com propriedade como é delicioso trabalhar com os pequeninos, poder facilitar o conhecimento e torná-los mais propenso ao crescimento, é algo inexplicável.
Em relação a minha condição de catequista, devo dizer que não tenho esforçado-me suficientemente o quanto deveria, porém tenho conseguido na maioria das vezes estreitar os laços entre o que aprendo em sala de aula e o que proponho a eles, aos domingos. Soa meio estranho falar de Psicologia, mesmo de modo bem raso, com jovens que acham tudo pouco importante e desnecessário. Mas sei que fará diferença tudo isso, logo, logo! Para o próximo semestre pretendo explanar meu olhar sobre o aprendizado deles e tentar ao máximo facilitar e tornar significante cada momento.
Na dança posso dizer que tenho evoluído e aumentado minha experiência. Vivi um delicioso momento há pouco, que foi a minha primeira aula, não é segredo a minha paixão por ensinar, mas este foi um desfio que se tornará maior logo mais. Devo dizer que não tenho estado satisfeita com meu rendimento, tenho esbarrado com algumas limitações que tem me desmotivado um pouco, mas espero ansiosamente superá-las. Apesar dos elogios que ouço, e que vêm de forma espontânea sei que é incompatível com que espero de mim. Preciso melhorar, mas esbarro com tantas opções que fiz e com as contingências que devo seguir, mas não posso dificultar, devo sempre procurar simplificar.. eis o desafio!
Minhas férias, apesar de inicialmente ter sido planejada, não fui fiel ao que planejei... mas foram deliciosas! Pude sentir mais próximo de mim o amor que sinto pela minha família e por quem a compõe. E é muito importante eu dizer: tenho sentido cada vez mais a necessidade de estar perto de cada um deles - pais, irmãos - e compartilhar com eles a transformação do meu Eu; meu crescimento. E quão positiva tem sido esta experiência, é como tornar mais leve o fardo do dia-a-dia e a pressão que sofremos de todos os lados. Edifica e vivifica... torna mais perto os meus, estreita laços.
Devo dizer que senti saudades da loucura diária, das aulas, das descobertas e de compartilhar meus dias com tantas pessoas que não vi durante este mês, estou ansiosa para o segundo semestre, mas sei que será mais pesado que este que se passou, mas adoro desafios! Devo dizer também que os dias passaram rápido e logo tudo reiniciará, mas foi de grande valia o sono debitado, o descanso e o reencontro com amigas antigas. Coisas assim só se faz em época de férias, mesmo.
Olhando para trás vejo um semestre grandiosamente positivo, próspero e semeador de boas ideias, condutas e experiência.
Posso querer algo melhor?
Sim! Quero um segundo semestre esplêndido, cheio de luz e novas descobertas. Adoro a sensação de engatinhar e em seguida constatar que aprendi a dar os primeiros passos..

Eis a vida,
avante!





PS.: É importante lembrar que com tudo isso, todo este trajeto percorrido me dei conta de que faltou espaço para um cafuné em minha cabeça. Ou melhor, faltou espaço para que houvesse alguém para um cafuné. Eis a dama de ferro...

domingo, julho 03, 2011

É preciso tentar!

E hoje após longos dias sem nenhuma produção, sem tempo e cansada para qualquer inspiração, estou aqui partindo de uma inspiração exterior, uma sugestão. A responsabilidade parece ainda maior quando há uma expectativa acerca do tema, mas "tentarei".
Inclusive, a temática de hoje é essa: tentar!
Há um tempo venho observando minhas atitudes e tenho notado grande discrepância entre o que proponho, o que aconselho e o que pratico. É bastante fácil apontar aos outros a necessidade de encarar o que se quer e investir nisso, daí emitimos a famosa frase: "É preciso tentar!".
Pois é, bastante fácil falar. E fazer? Aí está o desafio!
E analisando-me, como falei, vejo que neste quesito venho falhando. Desde sempre. Ao mesmo tempo em que apresento uma estrutura rígida, perspicaz, guerreira e determinada tenho em mim grandes medos e incertezas. É como um paradoxo, mas sou assim. À medida que tenho grande propulsão a lutar pelo que quero, tenho proporcionalmente, grande covardia em outros quesitos. E prefiro nem citá-los!
Por isso, acredito no grande mistério que cada ser humano carrega. Há muitas mais facetas além do que se apresenta. A verdade, por vezes, constitui-se de um grande contrário do que observamos e eu me julgo uma verdade oculta. Nem tudo o que se vê é o que realmente se é. Mas está aí o grande segredo da Psicologia: ir além do que se pode ver. Além de palavras, além de comportamentos observáveis, além preconceitos, crenças e opiniões. É preciso enxergar mais e pensar como o outro pensaria. Que desafio!
E neste sentido, venho utilizando disto ao comparar o que digo e o que faço. Soa muito fácil e me parece totalmente lógico agir de acordo com nossas vontades, porém, a assertividade tem passado um pouco longe dos meus comportamentos. E por quê?
Porque tenho conservas que ainda não me permitem ser totalmente assertiva. Existem eventos influenciadores que se tornam grandes condições coercitivas que tem total controle sobre mim. Renego minhas vontades de gritar, quando critico o grito de alguém, assim me escondo em meu próprio eu tornando-me de mais difícil acesso, quando na verdade o simples é o que me atrai. Seria tudo mais fácil se fôssemos menos controlados, menos vistos, menos notados... teríamos um livre cursar do próprio Eu. Que maravilha! E que utopia... Mas acredito que tudo passará, assim como tudo sempre passa. Como dizem em um verso de uma música: "Nada nesta vida é pra sempre até que prove o contrário..." me apego nisto, e procuro mudança até que enfim, eu possa realmente tentar tudo o que desejo, na medida em que posso realizar.Mas, propriamente, tentar.
Me entregar.
Me permitir.
E me deixar encantar.
Por isso, me olhe sempre com um olhar que penetre águas mais profundas: sou um mar aberto.








E você, tem tentado?

quarta-feira, abril 27, 2011

Sensações... percepções

Ufa! Finalmente consegui sentar e escrever um pouco. Não que me faltem coisas a fazer, muito pelo contrário, são tantas coisas que dá até medo, mas este exercício me é bastante terapêutico.
Ultimamente tenho vivido tantos momentos especiais, que torna-se um pecado não compartilhá-los. Tudo anda tão tumultuado, tão corrido, que me sinto tão vulnerável... proporcionalmente a força que tenho que apresentar.
Os dias tem me mostrado alguns eventos que dão sentido a tudo que tenho executado. Um sorriso de uma criança e a deliciosa retribuição - à maneira deles - têm sido os grandes promotores das alegrias que tenho sentido.
Um dia desses eles encheram meu bolso de florzinhas do jardim do colégio, de forma tão espontânea que me surpreendi. Facilitar a aprendizagem deles tem sido a função mais deliciosa e gratificante, é como saber que tudo que ajudo a compreender fará um grande sentido para eles, mais tarde. Em uma ocasião dessas aconteceu um fato bastante simplório, mas que mesmo assim me marcou muito: ajudá-lo a falar "R" foi como um insight para compreender realmente a importância da minha presença, e a repensar a postura ao lidar com essas joias em desenvolvimento.
Outro evento que me marcou bastante - dos quais eu lembro -, refere-se à Psicologia. Tenho vivenciado como aluna, aprendiz e aspirante a psicóloga, deliciosos aprendizados. A beleza da descoberta que posso ver nos olhos das crianças, pode ser vista também em meu olhar. Aprender, conhecer e fundamentar tem sido o grande encantamento em meu atual processo de formação. Ouvir aqueles mestres falarem torna-me propensa a me apaixonar mais e mais por essa carreira.
O desenvolvimento humano, os processos de aprendizagem, a análise do comportamento, tudo isso tem sido minha grande ação motivadora de todas as manhãs e de minha escolha profissional.
Eu devo confessar: Eu amo Psicologia! E noto, cada vez mais, que ela está envolvida em todas as condições sociais, em todas relações e em cada Eu de modo particular.
Tornar-se portador de conhecimento implica-nos mudanças de pensamentos e atitudes. E este processo vivencio, hoje, fortemente.. e acredito, ainda, na intensificação deste processo a cada dia. O reflexo destas mudanças tenho sentido em todos os campos de minha vida, e é delicioso me reconhecer neste processo, nesta metamorfose. E, por falar nisso, adoro essa palavra..m e t a m o r f o s e..me sinto uma lagarta, ansiosa por poder voar!

Hoje tomei contato com uma técnica de psicoterapia bastante interessante. Vivenciei um exemplo bem raso, do que é o Psicodrama.. e devo confessar, esta técnica caberia a mim como uma luva, neste momento. Poder dizer o que queremos a determinada pessoa ou em determinada situação é o grande dilema das relações, de modo geral. Presenciar aquele alívio que a técnica proporciona me faz sentir a necessidade de falar, nem que seja para mim mesma, o que eu gostaria de dizer em tantos momentos.
Temos um misto de sensações e desejos que se torna inexplicável, são percepções diferentes que desencadeiam sentimentos diferentes. Altos e baixos. Rasos e fundos. Fortes e leves.. tantos
contrários!

Tenho tantas percepções para compartilhar que fica difícil citar tudo; por isso falo de forma genérica. Adoraria relatar cada momento de descoberta, é uma forma de reviver e reaprender, sentir e perceber de outra forma.

Para tudo há um outro olhar. Uma diferente percepção!



"Estar assim, sentir assim.. um turbilhão de sensações dentro de mim."



domingo, fevereiro 20, 2011

Sabores e dissabores

Estou no limite. No limite de mim mesma. E na verdade não sei como me ajudar; a cabeça se torna pesada, cheia de informações que se cruzam e colidem uma com a outra. O corpo pede carinho, afeto, descanso, cuidado. E na verdade o que se tem é a correria, o descuido e a falta de atenção.
Esqueço do que sou e de olhar pra mim mesma, meu eu minha história, meu próprio ambiente.
É quando chega no extremo, - quando soa o aviso: 'memória cheia'- que decidimos optar por nós mesmos.
Sinto neste momento a mistura de todos os sabores e dissabores. Compartilho a construção e a captação de grandes conhecimentos; experiencio grandes momentos e oportunidades. Porém, sofro da vontade e ânsia de querer abstrair tudo da melhor forma e da maneira mais rápida. Preciso tirar o pé do acelerador ou mais tarde vou colidir comigo mesma.
Tudo se torna ainda pior quando encontro,em mim mesma e no que me rodeia, reforços negativos de todos os lados que apunhalam a vontade e a coragem de encarar tantas coisas.
Opto por ignorar. Opto pela alienação de coisas que possivelmente tornariam ainda mais difícil o modo de agir e pensar. Mascaro meu eu, de maneira cruel e covarde, sem propiciar-me verdades que fazem parte do meu constructo.
É interessante o modo como nos defendemos de nós mesmo; como me defendo de mim: sem coragem e bravura.
Minha vida, minha história, tem papéis e detalhes que eu mesma desconheço. Tenho influências que nem sei que me influenciam.
Tenho medos.
Tenho lágrimas.
Tenho inquietações.
Tenho desejos.
E tenho alienações.
Na verdade eu tenho um Eu.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Sorria 2011!

Mais uma vez encerrando um ciclo, que foi longo e cheio de boas experiências.
Mais uma vez é chegado o grande momento de repensar tudo o que fiz e o modo como fiz.
2010 começou com um grande desafio de livrar de toda a decepção que tive comigo mesma, tarefa árdua quando o assunto se trata da pessoa que mais cobra de mim: eu!
E pode acreditar, este ano me surpreendeu! Colocou em minhas mãos tudo o que eu desejei como plano para um perfeito "Ano novo". Felicidade e tristeza na medida certa: um sentimento compensando o outro como forma de mostrar que ambos existiam e que me faziam sorrir e também chorar.

Desdenhei de algumas propostas que a mim estavam disponíveis; mas o grande desafio era aceitar e acreditar que ali algo melhor me seria apresentado... E descobri coisas que sem dúvida não teria se a minha vontade fosse atendida; e permaneço com a ideia de que há muito mais a descobrir.
Durante todos estes dias pude viver e descobrir coisas geniais e maravilhosas, passei por experiências deliciosas e marcantes.
Iniciar-me como estudante de Psicologia me fez trilhar pensamentos antes jamais pensados, fez minar em mim um modo de vida diferente; consciente.. um pouco mais tolerante. Me propôs a belíssima opotunidade de trabalhar com a deliciosa inocência das crianças, colocando em prática o mais belo exercício da Epoché; tive que me descobrir criança novamente, estar ali com elas era como ter retornado 12 anos de minha vida; era ali o momento de esquecer todo o resto: Eu deveria ser criança, apenas criança! - quando há pouco tempo o que eu menos queria era ser taxada como uma delas.. doce adolescência!
E para mim, esta foi a gande conquista de 2010: ver um sorriso sincero, seguido de um delicioso abraço cheio de saudades, partindo daqueles que não sabem fingir afeto.
Foi neste ano que descobri uma de minhas gandes paixões: A dança. Aquela que é capaz de transbordar todo o meu eu, aquela que me põe totalmente passiva, à espera de um toque, de um delicado movimento. É ali onde estabeleço uma relação de entrega total, inicio com meu par um "rápido casamento", onde somos eu e ele, apenas. E é um dos grandes desafios que tenho tentado superar, permitir-me ser conduzida, quando o que mais faço em minha vida é centralizar tudo para meu controle.
Fiz parte de um grupo de catequistas ótimos, firmei uma parceria com alguém que me ajudou muito e me fez crescer grandiosamente, tentar plantar bons pensamentos e germinar boas atitudes em jovens é realmente um desafio!
Conheci pessoas maravilhosas, que me ensinaram coisas maravilhosas e espero que continuem ensinando, direta ou indiretamente.

Durante estas quatro estações tive pessoas me quiseram junto, que disseram me amar ou pelo menos estavam dispostos a isso. Me neguei. Me escondi, novamente. E então, decidiram cursar seu rumo. Continuei aqui.
Tive que lidar com pensamentos que ainda estão enraizados, que ora tentam me acovardar ora tentam me desmotivar.

Minha vida mudou tanto neste período, descobri como é bom ter autonomia - pelo menos um pouco dela- e de como é difícil para os outros aceitá-la. Estou descobrindo como é ser eu mesma, fazer o que gosto e ser responsável por isso. Sei que tenho uma vida toda para aprender, mas a ânsia por tudo isso faz-me querer ultrapassar qualquer barreira. Descobri coisas, pessoas e pensamentos diferentes; o mais difícil é respeitá-los.
Para mim, 2010 foi maravilhoso, me propôs coisas maravilhosas e abriu muitas portas, até desfilar eu desfilei - e pra mim isso sim foi uma superação.
Registro aqui meu agradecimento por tudo: pelo ano, pelas pessoas, pelas conquistas, pelo conhecimento, pelo aprendizado... pela VIDA!

Que o próximo ano seja de continuidade e também de momento novos, surpresas novas.
Quero sucesso na formação que escolhi, discernimento ao lidar com todas aquelas jóias, brilho e vontade ao entrar no salão para dançar, sabedoria para lidar com quem me rodeia e FORÇA para manter tudo isto!
Que 2011 venha cheio de brilho e Luz, para todos. E a todos!


Força,
Garra e
Determinação.

Obrigada 2010...


...sorria pra mim 2011 !





sexta-feira, novembro 19, 2010

Caindo aos pedaços

A energia vai se acabando e é perceptível que dar conta de tudo isso é realmente difícil.
Desempenhar todos estes papéis é cansativo. Mas não há como abandoná-los. Seria como retirar uma parte de mim. Amo cada papel que desempenho. Cada função.
As frustrações fazem parte e se faz necessário conviver com elas. Afinal, como bem me lembrou Pe Fabio de Melo, "Não existe arte sem dor". E de fato; todo processo de construção é necessário descarregar boas doses de energia.. de lágrimas..de preocupação - diga-se de passagem, são doses bem generosas.
Me sinto em um processo de desconstrução, estou caindo aos pedaços. E a cada momento abaixo-me para pegar um deles. Não posso me perder!


Agora vou ali, ser estagiária/educadora.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Mediocremente humana

São tantas sensações em um curto período. São tantos altos e baixos acontecendo ao mesmo tempo. É, realmente, muito difícil lidar com tudo isso; ainda mais quando se descobre a grande capacidade de falência, fragilidade... limitação.
A necessidade de onipotência, ou simplesmente o fato de querer ser 'ótimo' em tudo o que se faz gera agrande frustração quando nos descobrimos limitados.
E está aí a minha dor. De agora. De hoje.
Quero ser boa filha; boa irmã; boa aluna; boa dançarina; boa profissional; boa amiga; boa companhia; boa ouvinte; boa aconselhadora; boa catequista; (substitua todas as palavras 'boa' por 'ótima' - o desafio parece maior), ou seja, vivo de constante cobranças de mim para comigo. Vivo no limite do 'eu sei' e do 'eu não presto pra nada'. E eu tenho consciência disso. E eu sei que deveria ser diferente. E eu sei que sou falível, sou humana e tenho limitações. Sei de tudo isto, mas não sei qual o primeiro passo para a mudança.
Tenho grande necessidade de reconhecimento, e sua ausência me causa grande tristeza, traz a desconfortável sensação de falência. Em seu livro, As Perguntas da Vida, Fernando Savater trata com maestria a relação social do ser humano: reconhecer-se humano ocorre à medida em que os outros me reconhecem. E é neste contexto que me reconheço essencial e mediocremente humana.. mediocremente dependente do reconhecimento do outro. Preciso primeiro ser para o outro, para enfim ser para eu mesma.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Efemeridade

Com rápidas palavras é possível se dizer tudo, o que se quer, o que se pensa, o que se sente?
Rápidas palavras como a felicidade e toda euforia..
Rápidas palavras como o sol e o calor paulistano; rápidas palavras como a vontade de se levantar; como seu sorriso; como o Meu sorriso;
como meu bom humor. Rápidas palavras como o meu interesse por você; como minhas certezas; como minha paciência.
Eu quero algo que dure,
que seja tão rápido como apanhar toda a areia da praia.
Detesto o efêmero.

domingo, setembro 12, 2010

Gênese

Há tempos as palavras querem se manifestar; há tempos existe a necessidade de relatar tudo o que vem acontecendo. Como seria o desenrolar de uma vida? Caracterizaria uma reta ou uma senóide? Existem dias que tudo parece tão linear, sem grandes pulsações. E em outros tudo parece oscilar.
A vida é realmente fantástica. E também indecifrável!
Meus dias, atualmente, se encaixam na segunda opção: oscilação completa e perfeita. São tantas surpresas, tantas descobertas, tantas expectativas.. estou realmente me surpreendendo.
Se alguém me pedisse para definir minha vida, faria com apenas uma palavra: perfeita.
Sim, perfeita, mesmo com todo o peso que este significante carrega e à medida que se pode alcançar a perfeição . Vivo dias ensolarados e cheios de novidades.
Meus dias apresentam-se como o embarque em um bonde louco, desvairado.
Tudo vem acontecendo surpreendentemente, mudanças inesperadas. É estranho tudo isso, é como se a vida estivesse começando novamente, outra fase - mais uma fase -, estou engatinhando novamente, como um bebê prestes a alcançar sua primeira independência: o primeiro passo.
Pessoas novas, atividade nova, funções novas. Aprendizados diferente, pensamentos diferentes, atitudes diferentes. É, está tudo mudado! Preciso mudar também; desencadear outro Eu, caracterizando a versatilidade que o ser humano possui.
Pois bem, a vida está mudando e, consequentemente, eu estou mudando. Mas e ao meu redor? As pessoas não mudam, ou sequer propõe mudança. A medida que saio da casca - em um processo de metamorfose -, ao meu redor, preferem calcificar cada vez mais sua capa, como esquiva; fugindo da mudança que poderia se propor.
É estranhamente difícil lidar com a minha mudança perante o outro. E mais difícil ainda é lidar com toda esta felicidade que minha vida vem embalada. Eu não sei lidar com minha felicidade. Por que eu posso ser privilegiada? Há tantas outras pessoas "melhores" que eu, o que será que me aguarda logo ali, mais a frente?
Tantas dúvidas. E preciso melhor dominar meu eu, meus anseios, para enfim melhorar minhas relações com as pessoas. Quem sabe poder aceitar alguém.
Eu quero poder curtir tudo isso que me acontece agora, sem medo de sorrir, gargalhar. Eu quero poder desfrutar com vontade e toda a ousadia que tenho. Estou em um momento radiante, uma gênese necessária na vida de todos. Deixe-me poder desfrutar.
Eu quero poder descansar ao sol, e dançar sob as estrelas. Em paz, sem preocupações e companhia ao meu gosto.



"O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor
direção"

(B. Guedes/F. Brant)

domingo, julho 18, 2010

Queda livre

"Há sempre algo de ausente que me atormenta."
(Camille Claudel)

Momento de fúria interior: é hora de escrever.
As palavras sempre me parecem mais difíceis e ocultas quando mais pareço precisar delas. E agora não me falta à regra: elas sumiram; mas vou recolhendo uma a uma a medida que vão surgindo.
Diria que em um dia típico paulistano, de pouco sol e muita nuvem, peguei-me a pensar no quão desajustada eu sou. Pareço não caber em lugar algum. Parece haver pouco espaço para alguém como eu (e como eu sou?) e também parece haver espaço demais para mim, onde eu não consigo me segurar.
Queda livre. Isso! Está aí a definição perfeita para meus dias atuais, inconstantes e cinzas. Sinto-me levada pelo sopro de quem soprar mais forte, ou de quem tem o poder de me arrastar. Autoridade, determinação, vontade própria..todos estes itens estão caindo junto de mim neste para- quedas e o vento que os acompanha sopra em sentido contrário.
A Psicologia nos ensina a todo momento um modo simples de análise das situaçães: observar o momento do outro. Analisar? Sim, analisar! E é o que venho fazendo, colocando-me no lugar do outro, daqueles que me vêem simples e unicamente em uma face, daqueles que se esquecem do desdobramento que um Eu pode ter, e deve. Tentam soprar tão forte de maneira a prender-me junto a eles, sem que eu possa, enfim, crescer, mais e mais.. E eu sei que isso não é por mal; mas surge a mim como um tornado de vontades a serem saciadas, respeitadas e exercidas.
Não! Eu quero ser eu, apenas. Deixe-me assim, sorridente, misteriosa, curiosa, astuta, exigente, amante de boas conversas e atraída por belos sorridos. Deixem-me ser eu, sem ter que fazer suas vontades ou de qualquer outro alguém, eu quero e preciso dar meu grito de independência, mesmo que ela seja de mim para mim mesma. Eu preciso.
Não me enxergo inserida efetivamente em lugar algum, há sempre tantas divergências de ideias, de atitudes, de pensamentos, de experiências. Pareço estar sempre fora dos padrões de todos, sem a disponibilizade e desprendimento que todos apresentam. São sempre diferenças aparentemente suportáveis, mas que por hora - e sobretudo hoje - me incomodam.
E tudo se torna uma nuvem escura e carregada - como estas que cobrem estes dias cinzas - que ofusca o brilho que quero emitir, que cobre meus pensamentos e traz sempre a dúvida de não saber o que fazer, nem como fazer. Resta, então, a passividade, a espera do tempo passar.. fluir e a nuvem se desmanchar. E assim quem sabe eu consiga impor meu eu, minha verdade. E consiga, enfim, preencher o espaço que me cabe ou expandir aquele que me falta. O difícil é ser expectadora quando na peça que está sendo encenada e manipulada o personagem principal é seu próprio eu.


"Não adianta me ver sorrir
Espelho meu
Meu riso é seu
Eu estou ilha ... da
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô
Não vou sair
Se ligarem não estou
À manhã que vem
Nem bom-dia eu vou dar
Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei (...)"
(Djavan)

Quem sou eu

Minha foto
A mesma de sempre com inúmeras alterações.