sábado, março 02, 2013

Quisera

Estranho é sempre querer o que não se tem
Ou o que não se pode ter.
É como a água do mar
Aspirar ser estranha e doce
Com sua escuridão e profundidade
É como o pássaro querer
Ultrapassar o limite do
mais alto que pode ir.

É como a criança
Que deseja ser grande
Sem antes aprender a engatinhar
Ou falar
É como saber engatinhar
E querer correr maratonas
É como ser estrela e querer ser lua
Ou sol, quem diria!


É como ser brisa
E aspirar ser ventania
É como transbordar um recipiente vazio
É como ser crente
Sem crer em nada
É como crer em tudo
E ser um grande duvidoso de todos
E de si mesmo, pasmem!

É como ser Caetano
Querendo ser Gil
É como acordar pela manhã
E querer dormir mais
É como Vinícius poetizou certa vez:
Um contentamento descontente
É como sentir intensa
E vividamente.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Uma dose

Como uma brasa fervorosa, por vezes, sentimo-nos queimar.
E da boca pra fora falamos que esquecemos e tudo parece superado, de verdade. Sem querer, ou querendo, você engana a si mesmo...
Mas é o primeiro a se desvendar, tão logo!
Tudo parecia ter sido diluído, afinal,  nada como uma boa dose de resignação com umas pedras de conformismo.
Mas que combinação pouco apetitosa, não é mesmo?!
Acredito que podemos nos servir de doses melhores mas, hora ou outra um copo desses teremos que encarar. 
Não que eu seja adepta aos drinks ruins, mas você há de concordar comigo: a vida nos faz conivente com eles! Não que isso signifique concordância. Não, não... é justamente pelo contrário que teço essas palavras: não me conformo com minha última dose degustada. Talvez não me conforme pelos ingredientes que o compunham. Eram refinarias que não costumam frequentar minhas prateleiras. E ao provar, senti o gosto amargo, que matou a expectativa de algo refrescante, doce e envolvente, rendendo uma boa ressaca de frustração.
No entanto, por um espaço curto de tempo acreditei tê-la apreciado. Pasme! Ninguém muda de conduta tão facilmente (mudanças exigem um processo, quase nunca fácil). E eu não poderia fugir à regra - esbaldar-me na bebida que não me apetece não combina com o que conheço de mim mesma. Não combina com o que construí, não é congruente com minhas atitudes conhecidas e, mais amargo ainda... alterou o paladar de minhas expectativas pessoais.
E agora, neste exato momento, estou na fase crucial: a de reavaliações.
E para sistematizá-las basicamente, eu diria que a primeira consiste na reavaliação do porquê o garçom me serviu aquele drink - devo levar em consideração diversas variáveis neste processo.

A segunda, diz respeito à reavaliação da necessidade de aceitar novos paladares e variâncias - talvez a aceitação desta essência esteja intimamente ligada ao processo necessário, que comentei anteriormente.

A terceira, talvez não a última, mas a que me ocorre agora, corresponde à reavaliação da crença de que todas as variáveis anteriormente reavaliadas tenham um propósito maior, quem sabe uma boa surpresa ao final de um grande esforço (deixando uma visão pragmática, quem nunca pensou em propósitos maiores para situações de pouca conformidade?).

Acontece que a brasa fervorosa voltou a arder, e eu acreditava estar apagada.
Agora não sei bem como fazer todas essas reavaliações. Nem sei também se devo. A probabilidade delas terem poucas respostas conclusivas é grande, e talvez isso aumente a minha crença de que não valerão todos os esforços.
Por agora, procuro um novo bar, com novos garçons, novos drinks... novas composições.

E talvez seja essa a resposta: quando o drink não lhe agrada mais é hora de mudar de bar. Nem sempre é válida a tentativa de análise de muitas variáveis. Às vezes o garçom não lhe agrada mais, e aquele drink...

Ah! Aquele drink espera por outros paladares. Somente.
E você, tem apreciado as doses que lhe servem?!

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

O outro (primeiro conto)

E o problema não é lidar com o que não se tem. O problema é lidar com o que se acha que deveria ter.
Desde pequena mostrou-se segura de si mesma, convicta e cheia de aspirações. Seus dias sempre foram regados por muitas aprovações. Ela parecia fazer tudo certo - ou quase tudo, seus erros nunca foram exorbitantes.
As mudanças não pareciam bichos de sete cabeças, afinal sua segurança lhe firmava um respaldar sólido e forte. Temer era inevitável, afinal, para além de sua segurança, as dúvidas sempre lhe foram comuns - seu lado humano sempre fora evidente.
Os dias passavam, oferecendo verões e invernos, para que ela aprendesse a viver sob diferentes condições. Ela vivia.
E juntos cresciam, os dias e ela.
Por algumas vezes viu-se encarcerada em si mesma, com sua pior vilã. Eram batalhas terríveis, dolorosas, sofridas e penosas. No entanto, nenhuma delas fora terminada sem o brilho de um sorriso vivificador.
Pequena e grande ao mesmo tempo, na verdade sempre foi difícil mensurar sua estatura. Enquadramentos sempre lhe foram desafiadores.
Quando deitada, a janela de seu quarto oferecia a possibilidade de ver a passagem do tempo.
Ela crescia!
Seus brinquedos lhe pareciam objetos inúteis; suas melhores graças eram conquistadas pelas palavras. Ela adorava falar; e fazia isso muito bem.
Tudo sempre lhe foi transitório: seus pensamentos, as pessoas, seus brinquedos e seus dias. E assim, entre sorrisos e choros ela se deparou frente a escolhas difíceis. Mas escolhas difíceis sempre parecem fáceis demais depois de escolhidas. Ela detestava a sensação de sofrimento em vão, mas nunca o conseguia economizar.
E dentre escolhas e opções, sofrimentos e boas surpresas, ela se deparou com o seu "não lugar", com suas "não possibilidades" e com suas "não preferências".
Não lhe foi estranho perceber que alguns lugares lhe eram incompatíveis. Não, quando a incompatibilidade era imposta por si mesma.
Não lhe foi sofrido perceber que era incapaz de executar algumas coisas. Não, quando a incapacidade referia-se a algo de pouco interesse seu.
Não lhe foi constrangedor perceber que não era escolhida em determinadas situações. Não, quando as situações pareciam inferiores a ela.
Os dias corriam.
Seu relógio tornou-se um amuleto da sorte ou um grande temorizador. Ela tornou-se habilidosa com o tempo, mas este sempre lhe pareceu mais veloz.
E entre a velocidade do tempo e a rapidez dos dias, ela notou que estava presa. Algemada pelas crenças dos outros! Acreditava em si mesma porque os outros lhe acreditavam.
A pequena apenas precisava chorar.
Descobriu que o choro aliviava essas amarras, dando acesso às suas fraquezas - até então percebidas apenas por ela mesma.
Seu relógio lhe provava constantemente que não era possível parar. E ela continuou.
Continuou e percebeu que o que ela queria, podia não acontecer.
Caminhou e notou que o que acreditou ser seu, na verdade não era.
Correu e percebeu que o que os outros lhe diziam não era verdade absoluta, eles viam apenas de um ângulo.
Divagou e encontrou outros olhares; outros interesses; alguns Talvez para os seus desejos, outros 'Quem sabe' para suas propostas e Nãos para o que lhe parecia Sim.
Sentou e entendeu que não era insubstituível.
Deitou e mensurou o quanto o outro lhe influenciava. Chorou.

Acordou e exclamou:
- Devo continuar!






quarta-feira, janeiro 30, 2013

Quebra-cabeça

Com o passar dos dias é possível perceber que alguns acontecimentos sempre se farão presentes no percurso da vida. Aquele papo de momentos inconstantes é verdadeiro, não é balela. Existem sim aqueles momentos em que estamos mais sensíveis e inseguros, desconfiando de tudo e de todos, inclusive de si mesmo - talvez mais propensos a episódios melancólicos.
Mas não são à toa estes momentos. Talvez todas as experiências que vivenciamos tenham função de ensinar muitas outras coisas, para além do fato vivido. Está aí uma grande capacidade humana, a generalização e relação. E na verdade, essa é uma característica bastante marcante em nossa espécie: adoramos generalizar coisas, atitudes e pessoas - quase nunca de maneira saudável, generalizações são sempre perigosas. Mas, por vezes, algumas relações que somos capazes de estabelecer permitem-nos um crescimento inesperado.
Sem muitas reservas tenho a ousadia de comparar nosso ciclo de vida a um quebra-cabeça. Sim, somos um emaranhado de peças que a cada dia tenta se encaixar, se entender... buscar sentido. 
E na verdade isso que proponho não é muito além do que podemos imaginar. Somos pegos de surpresas a todo momento, desde o momento que acordamos, ao sair e enfrentar nossas relações. Que baita desafio!
A cada exposição que nos permitimos, a cada análise de experiências, a cada interpretação pessoal somos capazes de integrar uma peça em nosso quebra-cabeça. É como compor uma imagem para que se torne homogênea, nítida e coesa. No entanto, os dias nunca são iguais, nem tampouco lineares. Sempre há um momento de ventania, daquelas que chegam quando a janela está aberta, leva tudo.
Inclusive o quebra-cabeça.
O que estava construído ruiu, o que tinha sentido desfaleceu-se, o que encaixava perdeu-se. Talvez a figura tenha mudado de aparência, os traços tenham sido aperfeiçoados. A partir daí a busca será outra, sendo iniciada por um repertório desorganizado, mas capaz de excluir possíveis vivências de pouco sucesso. A busca agora não será pelo mesmo caminho: ao diluir peças, o vento mostrou novos atalhos, quem sabe novas possibilidades.
Monta, desmonta, tira, troca e vira. Pensa, repensa, tenta, encaixa, sorri. Bagunça!
Este ciclo tende a se repetir inúmeras vezes, talvez sem expectativa de produto final. Afinal, vivemos continuamente, sempre passíveis de uma ventania inesperada.

Por isso, feche bem as janelas. Ou então permita-se sempre se remontar. 

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Tim..tim!

É fim de ano e agora a moda, ou o momento, quem sabe o costume, é de se repensar o trajeto percorrido.
É típico também, o planejamento de novos objetivos e aspirações por novas mudanças.
Acredito que toda a mágica criada acerca do novo ano (cronologicamente falando), tenha papel fundamental como estímulo para o recarregamento de energia, que propulsiona todo o típico furor de início de ano. 
E essa magia toda, que não sei bem qual é - talvez criada pelas festas, comemorações, partilha, sorrisos soltos -, sustenta a crença de que tudo mudará. Talvez um milagre, quem sabe.
Mas não...
Os fogos não derramarão chuva de felicidade. Os brindes não concretizarão contratos. Os abraços não selarão grandes relacionamentos. As sete ondas não lhe farão rico. E o estouro da champagne não calará os sussurros do ano anterior!
Essas crenças, esse idealismo, essa felicidade instantânea só alimentam grandes expectativas. E sabemos bem que esperar demais não é uma boa pedida!
Diminua o teor das promessas, sente-se no chão. Busque a realidade que faz os homens mais racionais, sinta você mesmo.. mensure o passo que poderá dar. Estamos num contínuo! 
Não busque alcançar o outro lado da rua sem saber caminhar. Busque aprender o primeiro passo!
O que concretizará mudanças, que dará luz aos milagres, são os comportamentos diferentes: aquela tentativa que ainda não fora usada; aquela experiência postergada; ou quem sabe aquela decisão crítica a ser tomada. Um misto de novas tacadas, uniformes diferentes, estratégias mais elaboradas.
Uma lista sempre ajuda nestes processos, é uma grande auxiliar. Quem sabe pensar das pequenas para as mais ousadas mudanças?!
O ano pode ser diferente, mesmo por pequenas coisas. Talvez elas se tornem grandes, se olhadas com mais calma.
Tentemos!
                           tim...tim!



quinta-feira, dezembro 20, 2012

Humano demais

Observe! Seu 'coração' parece apertado demais, a ponto de doer por dentro. Seus pensamentos parecem rápidos, incoerentes, pouco coesos e cheio de conteúdos desconexos. Seus sentimentos parecem tão fundidos que não se sabe se é amor ou ódio, alegria ou tristeza.
Você não se parece, no entanto se reconhece em cada atitude, mesmo achando que não há nenhuma semelhança com você mesmo. Seus atos parecem incontroláveis, querendo se concretizar sem ponderação ou decisão. Curto circuito!
Raios de vozes, flashes de sons, gritos turvos, visões estridentes. Tudo assim... bagunçado, ao contrário!
Ventos que fincam sua humanidade, sem medo, intensamente. Humano demais para chorar, humano demais para sorrir, humano demais para aceitar, humano de menos para continuar.
Sim, existem momentos que não se sabe o que sabe, se esquece o que tinha certeza. Seu eu parece insano e diferente, estranho no ninho, inquieto.
De repente você acredita que tudo passou, era efêmero. Mas sobrou alguém ali, em pedaços, mesmo que em sua completude, buscando assim como você, a si mesmo.
Pulsos feridos por palavras pontiagudas e certeiras, muitas vezes perdidas e desencantadas. Não existem curativos, existem apenas dias novos e que devem ser vividos. Estes dias talvez sejam remédios, ou respostas... ou talvez sejam dias, apenas!


Olhe no espelho, não é você..
.. sou eu, humana demais em minha condição humana.


terça-feira, novembro 20, 2012

Vício

Dentre as diversas experiências humanas, uma das mais intrigantes e curiosas é a felicidade, ou estado de felicidade, como preferir. São tantas estimulações envolvidas, fisiológicas, 'psicológicas' e comportamentais que chega até a dar um nó quando se quer destrinchar tudo isso.
Mas vale a pena pensar nisso tudo, por um instante.
Dentre as diversas explicações para a felicidade - incluo aqui os aspectos pessoais envolvidos -, estão os aspectos que pude observar há pouco.
Borboletas no estômago, batimento cardíaco acelerado, sorrisos espontâneos, falas prolongadas, e ideias, muitas ideias. Esses são os meus sintomas de felicidade. Talvez comuns aos seus, talvez em parte semelhante, ou talvez destoem de sua concepção. No entanto, entendo tudo isso como um estado que possibilita-nos a tomar algumas atitudes especiais.
Sentir-se feliz, reconhecer-se feliz ou julgar-se feliz, tornam mais prováveis algumas escolhas. Ficamos mais propensos a querer abraçar o mundo, ou apenas quem está ao nosso lado. Desejamos mais coisas do que nunca, e queremos idealizar tudo que fantasiamos. Nos sensibilizamos mais com as boas atitudes e atentamo-nos à coisas que antes não seriam percebidas.
É isso!
A felicidade deve ser uma predisposição para algumas coisas; deve ser um grande embaraço de sensações e situações que nos levam a querer mais algumas coisas, do que outras.
Deseja-se mais sorrisos, mais piadas, mais música, mais papo. Há também quem fique totalmente motivado a implementar projetos, dar luz à ideias, mudar o visual ou pintar um quadro. A verdade é que quando percebemos que uma coisa deu certo, o 'coração' ou qualquer outra instância fisiológica enche-se de orgulho e vontade. Vontade de perpetuar essas sensações. Vontade de repetir, de sentir e de experimentar tudo novamente.
Mas cuidado! Isso parece ser um ciclo vicioso: quanto mais boas consequências se tem, mais se quer. E deste misto podem surgir diferentes angústias, frustrações e desapontamentos - mas isso é outra prosa!
O fato é que experimentei conscientemente, há pouco, todas essas sensações, e assim pude entender como funciona a minha felicidade. Tão minha, e tão pessoal! - acabo de contrastar a tentativa de uma concepção genérica de felicidade. Senti a predisposição a escolher e querer implementar tantas coisas, senti o ímpeto de continuar. Não quis pintar um quadro, mas desejei escrever assim, aqui.
E que delicioso é sentir tudo isso. É como se em fim, suas marcas pudessem ser deixadas. É como se fosse verdade aquele papo de que em determinado estágio da vida, queremos produzir e deixar feitos eternos.
E talvez esse tenha sido meu episódio de felicidade, regado a um grande desejo de que seja um capítulo, e que tenha continuação. Mas tenho aprendido, a cada dia: tudo é passageiro se não se alimenta e fortifica.
Mas quero agora, aproveitar do meu episódio e estrelá-lo brilhantemente, com a tentativa de mantê-lo sempre no ar...
Deixar feitos. Eternos. Será possível?

domingo, outubro 28, 2012

Veja a nuvem... é chuva!

Psiu! Ouça o barulho dos trovões. Veja o céu  escurecer. As árvores começam a balançar, folhas a cair. É, parece que vai chover!
E a chuva traz consigo tantas possibilidades. De limpar, de lavar, de refrescar, de levar e de mudar.
O calor inflama diferentes sensações, e estas pouco se pode controlar. São avassaladoras, quentes e cruéis. No entanto, a chuva diminui a possibilidade de combustão. Traz alívio, suavidade, calma, reflexão.
Um precisa do outro. O calor precisa do frescor. E o frescor torna-se opaco, cinzento, turvo e pouco apetitivo sem o calor. São relações correlatas, dependentes. Necessárias!
Posso sentir a calma pairando. A possibilidade de uma cesta. A coragem de iniciar algo que há pouco se tinha adiado.
Olhe. Veja a possibilidade da conversa, a possível explicação. Sinta a maciez das águas, que levam a explosão.
Deixe a chuva lhe molhar. Deixe a chuva limpar. Deixa a chuva mudar.
Deixe.
              Ouça.
                     ... é chuva!

segunda-feira, outubro 15, 2012

Me falaram

O que nos permite dizer que somos a mesma pessoa de anos atrás, aquele (a) pequenino(a) com outros sonhos e ambições? Como reagir ao espelho que publica uma imagem diferente, capaz de provar que tudo mudou: traços, feições, cores e dimensões?
Desde os primeiros momentos de vida tudo passa a ser diferente. Estar em contato com o mundo permite-nos interferir neste, mudá-lo, alterá-lo... modificá-lo. O choro, os primeiros movimentos. O balbucio, a fala, pedidos e interrogações. Pinçar, agarrar, manusear, andar e deslocar-se. Todas essas ações foram experimentadas, modificadas e diversificadas. Nada parece igual ao que foi antes, lá trás, no começo.
O corpo mudou, cresceu, rejeitou algumas características e preservou outras. Ainda assim, se afirma: ainda sou eu. A fala foi modificada, o vocabulário expandiu-se, algumas palavras caíram no desuso, os pedidos tornaram-se mais ambiciosos. Ainda assim, se afirma: sou o mesmo (a).
A família deixou de ser o único grupo, a pré-escola já abandonou, o colégio ofereceu novas possibilidades, de empresas já mudou. Mas ainda assim, afirma: eu sou eu.
Lidar com a mudança de sentimento em relação a determinados estímulos; lidar com a mudança de medos e anseios... Nossa! Tudo isso nos garante uma grande característica: a grande complexidade humana.
É difícil, pra mim, entender que sou a mesma, mas que mudei. Que vivo de constantes alterações, e que preciso adaptar-me a elas. É, no mínimo, estranho pensar que mesmo diante de tantas mudanças, tenho limites. Limites no agir, no pensar, controlar e no falar.
E lidar com limites tem se tornado um desafio. E esse desafio me é uma guerra pessoal, que dispõe de armas calibradas com episódios considerados de ansiedade, de medo e de indignação.
Mas será este um misto de sentimentos idiossincrático? O não é a resposta mais esperada, que retira-me da linha dos incomuns. Espero que partilhem, minimamente, com tudo isso, não me apetece a ideia de ser estranha no ninho.
O fato é que tudo continua, e a evolução/involução continua, sedenta, apressada, avassaladora. Sinto distanciar-me mais e mais daquela foto, de pequena, pequenininha.
Mas sou eu.
Acredito que sou eu. Me falaram que sou...
...ou que ERA.



domingo, agosto 05, 2012

Demore-se

Passamos os dias vivendo tão rapidamente, sem nos olhar. A competição; a luta contra o tempo; a ganância e a busca por status excluem da rotina o momento para que olhemo-nos uns aos outros.
Vestimos uma armadura todas as manhãs, antes de encarar a loucura do dia a dia. E esta não nos permite sentir muito do que o outro tem a oferecer.
Cada um possuidor de uma história, produto de diferentes experiências, sensível a diferentes estímulos e eventos, percebe o mundo diferente de nós. E isso é tão rico!
Somos capazes de contribuir com o outro sem perceber, sem esforço, sem intenção. Às vezes uma palavra, uma experiência contada e  uma impressão tem muito a oferecer.
O exercício do humanismo é demasiadamente difícil, esbarramos sempre num punhado de conservas, inseguranças e autorregras. A verdade é que não nos permitimos. Talvez como forma de defesa, pode ser... É preferível nos manter em nossa zona de conforto a deixarmos nos apaixonar pela essência dos que nos rodeiam.
É quase que intragável notar que o pré-conceito gerado, imaturamente, pelas primeiras impressões de alguém seja diluído. Requer esforço, e para isso é necessário investimento de coragem, humildade, serenidade e respeito para lidar com a verdade de cada um.
E quando possibilita-se o 'conhecer' agregam-se muitas outras variáveis, como por exemplo o sentimentalismo envolvido, dificultando muitas tomadas de decisão. Conhecer implica diretamente no modo como lidaremos com o outro, Passamos a ser, mitologicamente, um pouco responsáveis por aquela história e por diversas vezes envolvemos sentimentos que podem interferir em diversas decisões a serem tomadas.
E aí tudo se complica!
Admiração, compaixão, empatia, correspondência...quando envolvidos tudo se torna mais penoso: dizer sim, dizer não, abrir mão, punir, escolher, cessar...
A verdade é que o relacionamento humano é complexo e paradoxal. As relações nos enriquecem, lapidam e contribuem com nosso repertório comportamental, autoconhecimento etc., porém nos geram um misto de medo e ansiedade..
E é estranho perceber, que vivemos esbarrando nos outros, em suas histórias...
Cuidemos para andar mais devagar.

Quem sou eu

Minha foto
A mesma de sempre com inúmeras alterações.