domingo, fevereiro 20, 2011

Sabores e dissabores

Estou no limite. No limite de mim mesma. E na verdade não sei como me ajudar; a cabeça se torna pesada, cheia de informações que se cruzam e colidem uma com a outra. O corpo pede carinho, afeto, descanso, cuidado. E na verdade o que se tem é a correria, o descuido e a falta de atenção.
Esqueço do que sou e de olhar pra mim mesma, meu eu minha história, meu próprio ambiente.
É quando chega no extremo, - quando soa o aviso: 'memória cheia'- que decidimos optar por nós mesmos.
Sinto neste momento a mistura de todos os sabores e dissabores. Compartilho a construção e a captação de grandes conhecimentos; experiencio grandes momentos e oportunidades. Porém, sofro da vontade e ânsia de querer abstrair tudo da melhor forma e da maneira mais rápida. Preciso tirar o pé do acelerador ou mais tarde vou colidir comigo mesma.
Tudo se torna ainda pior quando encontro,em mim mesma e no que me rodeia, reforços negativos de todos os lados que apunhalam a vontade e a coragem de encarar tantas coisas.
Opto por ignorar. Opto pela alienação de coisas que possivelmente tornariam ainda mais difícil o modo de agir e pensar. Mascaro meu eu, de maneira cruel e covarde, sem propiciar-me verdades que fazem parte do meu constructo.
É interessante o modo como nos defendemos de nós mesmo; como me defendo de mim: sem coragem e bravura.
Minha vida, minha história, tem papéis e detalhes que eu mesma desconheço. Tenho influências que nem sei que me influenciam.
Tenho medos.
Tenho lágrimas.
Tenho inquietações.
Tenho desejos.
E tenho alienações.
Na verdade eu tenho um Eu.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Sorria 2011!

Mais uma vez encerrando um ciclo, que foi longo e cheio de boas experiências.
Mais uma vez é chegado o grande momento de repensar tudo o que fiz e o modo como fiz.
2010 começou com um grande desafio de livrar de toda a decepção que tive comigo mesma, tarefa árdua quando o assunto se trata da pessoa que mais cobra de mim: eu!
E pode acreditar, este ano me surpreendeu! Colocou em minhas mãos tudo o que eu desejei como plano para um perfeito "Ano novo". Felicidade e tristeza na medida certa: um sentimento compensando o outro como forma de mostrar que ambos existiam e que me faziam sorrir e também chorar.

Desdenhei de algumas propostas que a mim estavam disponíveis; mas o grande desafio era aceitar e acreditar que ali algo melhor me seria apresentado... E descobri coisas que sem dúvida não teria se a minha vontade fosse atendida; e permaneço com a ideia de que há muito mais a descobrir.
Durante todos estes dias pude viver e descobrir coisas geniais e maravilhosas, passei por experiências deliciosas e marcantes.
Iniciar-me como estudante de Psicologia me fez trilhar pensamentos antes jamais pensados, fez minar em mim um modo de vida diferente; consciente.. um pouco mais tolerante. Me propôs a belíssima opotunidade de trabalhar com a deliciosa inocência das crianças, colocando em prática o mais belo exercício da Epoché; tive que me descobrir criança novamente, estar ali com elas era como ter retornado 12 anos de minha vida; era ali o momento de esquecer todo o resto: Eu deveria ser criança, apenas criança! - quando há pouco tempo o que eu menos queria era ser taxada como uma delas.. doce adolescência!
E para mim, esta foi a gande conquista de 2010: ver um sorriso sincero, seguido de um delicioso abraço cheio de saudades, partindo daqueles que não sabem fingir afeto.
Foi neste ano que descobri uma de minhas gandes paixões: A dança. Aquela que é capaz de transbordar todo o meu eu, aquela que me põe totalmente passiva, à espera de um toque, de um delicado movimento. É ali onde estabeleço uma relação de entrega total, inicio com meu par um "rápido casamento", onde somos eu e ele, apenas. E é um dos grandes desafios que tenho tentado superar, permitir-me ser conduzida, quando o que mais faço em minha vida é centralizar tudo para meu controle.
Fiz parte de um grupo de catequistas ótimos, firmei uma parceria com alguém que me ajudou muito e me fez crescer grandiosamente, tentar plantar bons pensamentos e germinar boas atitudes em jovens é realmente um desafio!
Conheci pessoas maravilhosas, que me ensinaram coisas maravilhosas e espero que continuem ensinando, direta ou indiretamente.

Durante estas quatro estações tive pessoas me quiseram junto, que disseram me amar ou pelo menos estavam dispostos a isso. Me neguei. Me escondi, novamente. E então, decidiram cursar seu rumo. Continuei aqui.
Tive que lidar com pensamentos que ainda estão enraizados, que ora tentam me acovardar ora tentam me desmotivar.

Minha vida mudou tanto neste período, descobri como é bom ter autonomia - pelo menos um pouco dela- e de como é difícil para os outros aceitá-la. Estou descobrindo como é ser eu mesma, fazer o que gosto e ser responsável por isso. Sei que tenho uma vida toda para aprender, mas a ânsia por tudo isso faz-me querer ultrapassar qualquer barreira. Descobri coisas, pessoas e pensamentos diferentes; o mais difícil é respeitá-los.
Para mim, 2010 foi maravilhoso, me propôs coisas maravilhosas e abriu muitas portas, até desfilar eu desfilei - e pra mim isso sim foi uma superação.
Registro aqui meu agradecimento por tudo: pelo ano, pelas pessoas, pelas conquistas, pelo conhecimento, pelo aprendizado... pela VIDA!

Que o próximo ano seja de continuidade e também de momento novos, surpresas novas.
Quero sucesso na formação que escolhi, discernimento ao lidar com todas aquelas jóias, brilho e vontade ao entrar no salão para dançar, sabedoria para lidar com quem me rodeia e FORÇA para manter tudo isto!
Que 2011 venha cheio de brilho e Luz, para todos. E a todos!


Força,
Garra e
Determinação.

Obrigada 2010...


...sorria pra mim 2011 !





sexta-feira, novembro 19, 2010

Caindo aos pedaços

A energia vai se acabando e é perceptível que dar conta de tudo isso é realmente difícil.
Desempenhar todos estes papéis é cansativo. Mas não há como abandoná-los. Seria como retirar uma parte de mim. Amo cada papel que desempenho. Cada função.
As frustrações fazem parte e se faz necessário conviver com elas. Afinal, como bem me lembrou Pe Fabio de Melo, "Não existe arte sem dor". E de fato; todo processo de construção é necessário descarregar boas doses de energia.. de lágrimas..de preocupação - diga-se de passagem, são doses bem generosas.
Me sinto em um processo de desconstrução, estou caindo aos pedaços. E a cada momento abaixo-me para pegar um deles. Não posso me perder!


Agora vou ali, ser estagiária/educadora.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Mediocremente humana

São tantas sensações em um curto período. São tantos altos e baixos acontecendo ao mesmo tempo. É, realmente, muito difícil lidar com tudo isso; ainda mais quando se descobre a grande capacidade de falência, fragilidade... limitação.
A necessidade de onipotência, ou simplesmente o fato de querer ser 'ótimo' em tudo o que se faz gera agrande frustração quando nos descobrimos limitados.
E está aí a minha dor. De agora. De hoje.
Quero ser boa filha; boa irmã; boa aluna; boa dançarina; boa profissional; boa amiga; boa companhia; boa ouvinte; boa aconselhadora; boa catequista; (substitua todas as palavras 'boa' por 'ótima' - o desafio parece maior), ou seja, vivo de constante cobranças de mim para comigo. Vivo no limite do 'eu sei' e do 'eu não presto pra nada'. E eu tenho consciência disso. E eu sei que deveria ser diferente. E eu sei que sou falível, sou humana e tenho limitações. Sei de tudo isto, mas não sei qual o primeiro passo para a mudança.
Tenho grande necessidade de reconhecimento, e sua ausência me causa grande tristeza, traz a desconfortável sensação de falência. Em seu livro, As Perguntas da Vida, Fernando Savater trata com maestria a relação social do ser humano: reconhecer-se humano ocorre à medida em que os outros me reconhecem. E é neste contexto que me reconheço essencial e mediocremente humana.. mediocremente dependente do reconhecimento do outro. Preciso primeiro ser para o outro, para enfim ser para eu mesma.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Efemeridade

Com rápidas palavras é possível se dizer tudo, o que se quer, o que se pensa, o que se sente?
Rápidas palavras como a felicidade e toda euforia..
Rápidas palavras como o sol e o calor paulistano; rápidas palavras como a vontade de se levantar; como seu sorriso; como o Meu sorriso;
como meu bom humor. Rápidas palavras como o meu interesse por você; como minhas certezas; como minha paciência.
Eu quero algo que dure,
que seja tão rápido como apanhar toda a areia da praia.
Detesto o efêmero.

domingo, setembro 12, 2010

Gênese

Há tempos as palavras querem se manifestar; há tempos existe a necessidade de relatar tudo o que vem acontecendo. Como seria o desenrolar de uma vida? Caracterizaria uma reta ou uma senóide? Existem dias que tudo parece tão linear, sem grandes pulsações. E em outros tudo parece oscilar.
A vida é realmente fantástica. E também indecifrável!
Meus dias, atualmente, se encaixam na segunda opção: oscilação completa e perfeita. São tantas surpresas, tantas descobertas, tantas expectativas.. estou realmente me surpreendendo.
Se alguém me pedisse para definir minha vida, faria com apenas uma palavra: perfeita.
Sim, perfeita, mesmo com todo o peso que este significante carrega e à medida que se pode alcançar a perfeição . Vivo dias ensolarados e cheios de novidades.
Meus dias apresentam-se como o embarque em um bonde louco, desvairado.
Tudo vem acontecendo surpreendentemente, mudanças inesperadas. É estranho tudo isso, é como se a vida estivesse começando novamente, outra fase - mais uma fase -, estou engatinhando novamente, como um bebê prestes a alcançar sua primeira independência: o primeiro passo.
Pessoas novas, atividade nova, funções novas. Aprendizados diferente, pensamentos diferentes, atitudes diferentes. É, está tudo mudado! Preciso mudar também; desencadear outro Eu, caracterizando a versatilidade que o ser humano possui.
Pois bem, a vida está mudando e, consequentemente, eu estou mudando. Mas e ao meu redor? As pessoas não mudam, ou sequer propõe mudança. A medida que saio da casca - em um processo de metamorfose -, ao meu redor, preferem calcificar cada vez mais sua capa, como esquiva; fugindo da mudança que poderia se propor.
É estranhamente difícil lidar com a minha mudança perante o outro. E mais difícil ainda é lidar com toda esta felicidade que minha vida vem embalada. Eu não sei lidar com minha felicidade. Por que eu posso ser privilegiada? Há tantas outras pessoas "melhores" que eu, o que será que me aguarda logo ali, mais a frente?
Tantas dúvidas. E preciso melhor dominar meu eu, meus anseios, para enfim melhorar minhas relações com as pessoas. Quem sabe poder aceitar alguém.
Eu quero poder curtir tudo isso que me acontece agora, sem medo de sorrir, gargalhar. Eu quero poder desfrutar com vontade e toda a ousadia que tenho. Estou em um momento radiante, uma gênese necessária na vida de todos. Deixe-me poder desfrutar.
Eu quero poder descansar ao sol, e dançar sob as estrelas. Em paz, sem preocupações e companhia ao meu gosto.



"O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor
direção"

(B. Guedes/F. Brant)

domingo, julho 18, 2010

Queda livre

"Há sempre algo de ausente que me atormenta."
(Camille Claudel)

Momento de fúria interior: é hora de escrever.
As palavras sempre me parecem mais difíceis e ocultas quando mais pareço precisar delas. E agora não me falta à regra: elas sumiram; mas vou recolhendo uma a uma a medida que vão surgindo.
Diria que em um dia típico paulistano, de pouco sol e muita nuvem, peguei-me a pensar no quão desajustada eu sou. Pareço não caber em lugar algum. Parece haver pouco espaço para alguém como eu (e como eu sou?) e também parece haver espaço demais para mim, onde eu não consigo me segurar.
Queda livre. Isso! Está aí a definição perfeita para meus dias atuais, inconstantes e cinzas. Sinto-me levada pelo sopro de quem soprar mais forte, ou de quem tem o poder de me arrastar. Autoridade, determinação, vontade própria..todos estes itens estão caindo junto de mim neste para- quedas e o vento que os acompanha sopra em sentido contrário.
A Psicologia nos ensina a todo momento um modo simples de análise das situaçães: observar o momento do outro. Analisar? Sim, analisar! E é o que venho fazendo, colocando-me no lugar do outro, daqueles que me vêem simples e unicamente em uma face, daqueles que se esquecem do desdobramento que um Eu pode ter, e deve. Tentam soprar tão forte de maneira a prender-me junto a eles, sem que eu possa, enfim, crescer, mais e mais.. E eu sei que isso não é por mal; mas surge a mim como um tornado de vontades a serem saciadas, respeitadas e exercidas.
Não! Eu quero ser eu, apenas. Deixe-me assim, sorridente, misteriosa, curiosa, astuta, exigente, amante de boas conversas e atraída por belos sorridos. Deixem-me ser eu, sem ter que fazer suas vontades ou de qualquer outro alguém, eu quero e preciso dar meu grito de independência, mesmo que ela seja de mim para mim mesma. Eu preciso.
Não me enxergo inserida efetivamente em lugar algum, há sempre tantas divergências de ideias, de atitudes, de pensamentos, de experiências. Pareço estar sempre fora dos padrões de todos, sem a disponibilizade e desprendimento que todos apresentam. São sempre diferenças aparentemente suportáveis, mas que por hora - e sobretudo hoje - me incomodam.
E tudo se torna uma nuvem escura e carregada - como estas que cobrem estes dias cinzas - que ofusca o brilho que quero emitir, que cobre meus pensamentos e traz sempre a dúvida de não saber o que fazer, nem como fazer. Resta, então, a passividade, a espera do tempo passar.. fluir e a nuvem se desmanchar. E assim quem sabe eu consiga impor meu eu, minha verdade. E consiga, enfim, preencher o espaço que me cabe ou expandir aquele que me falta. O difícil é ser expectadora quando na peça que está sendo encenada e manipulada o personagem principal é seu próprio eu.


"Não adianta me ver sorrir
Espelho meu
Meu riso é seu
Eu estou ilha ... da
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô
Não vou sair
Se ligarem não estou
À manhã que vem
Nem bom-dia eu vou dar
Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei (...)"
(Djavan)

quarta-feira, junho 09, 2010

Preguicinha

Estava ele ali dormindo feito um anjinho, enquanto tudo acontecia ao seu redor. Carros passando sem parar, pessoas entrando, saindo daquele ônibus, onde ele estava. Onde estávamos nós dois. Ele ali no colo aconchegante de sua mãe, sonhando, talvez, - quem sabe se com uma imensa coleção de figurinhas, um grande estoque de doces ou quem sabe, ainda, uma partida de futebol - e eu aliadmirando seu sono, tão puro e tão forte.
"Acorda filho, nós temos que descer!" era o que aquela mãe dizia na tentativa de fazer com que seu anjinho despertasse para descerem no próximo ponto. Ele pareci nem ouvir. Eatava ali dormindo, enquanto tudo acontecia à sua volta, não lhe parecia nada incômodo; nem poderia ser. Admirei o modo como aquela mulher tentava, incessantemente, acordá-lo; mãos em seus cabelos, como na forma de um delicioso cafuné, dedos apertando aquela boquinha como se fosse um peixinho. Tentativas em vão, ele não acordava! Só fazia virar e dormir mais um puquinho.
Me reconheci ali, na figura daquele pequenino, cheia de preguiça e com uma imensa vontade de dormir. Desejei estar sentada no colo de minha mãe, como ele, sem medos, com nenhum receio. Seríamos ela, eu e meus sonhos. Mas não.. estávamos ali, eu e mais cinquenta pessoas ao redor daquele garotinho - com carinha de anjo - que dormia prazerosamente embalado pelo calor de sua mãe em uma manhã fria; bem fria!
Após longas tentativas de despertá-lo, - estimulando o olhar dele para seu próprio reflexo em um vidro, como se aquela imagem fosse desconhecida -, após longos cafunés e entre outros gestos... ele teve que se levantar.
Dei espaço para que ambos - mãe e filho - passassem e enfrentassem logo a frente mais algumas pessoas.. pessoas cansadas, pessoas estressadas, cheias de pressa; que talvez não entendessem a presença daquela criança ali, atrapalhando-os. Abri o espaço para que aquele garotinho passasse, vestido com a camisa do Brasil - com um orgulho patriótico ingênuo - e segurando a mão de sua mãe. Abri também o caminho para que enfrentasse lá fora os olhares diversos e os medos múltiplos, o frio congelante e os dias desafiadores; desde os seus poucos dias de vida.
Caminhou ele ao lado daquela que o acolhia sempre, rumo ao frio, rumo ao mundo, lutando contra o sono a caminho da luta diária, fora daquele ônibus, e deixando aquela deliciosa preguicinha de lado.
Ele se foi, com seus passos curtos, segurando na mão de sua mãe. E eu fiquei ali, invejando a deliciosa ingenuidade daquele pequeno patriota. O meu dia prosseguiria, caminhei rumo à uma prova na faculdade.

quarta-feira, maio 19, 2010

"Na lanterna dos afogados"

Há um dia atrás eu retratei o meu momento em uma frase: " Me surpreendendo... Momento em que tudo conspira ao meu favor. Acho que tenho que aproveitar! " E esta frase reuniu o que eu realmente estava sentindo. Tudo estava (ou está, não sei bem) ao meu favor, família, amigos, faculdade etc e eu me senti no dever de aproveitar cada minutinho dessa felicidade.
Ela parecia não cessar.
E aí, em meio a tanta euforia, a tanto sentimento de orgulho de mim mesma, em meio a tantos elogios eu me senti realmente feliz. Por alguns momentos eu pensei: Sim estou dando certo!
Logo veio o balde de água fria.
É impressionante como o ser humano não sabe lidar com a felicidade - digo isso pela experiência que escrevo agora -; estar feliz, totalmente feliz, tudo dar certo e o mundo estar em sintonia com a gente nos leva a um grau de complexidade absurdo. Precisamos de problemas, a vida sem problemas, sem dilemas e sem dúvida não nos parece normal; nos deixa à beira da loucura.
E eu senti isso profundamente, no final da noite passada e durante todo o meu dia de hoje. E agora eu digo o porquê de tudo isso: Insegurança.
Talvez esta única palavra descreva o que eu sinto, agora, neste exato momento. Mas pode ser este misto de sentismentos vá além disto. Tentarei explicar...
Durante os últimos dias tenho recebido elogios que partem de pessoas que nem bem me conhecem, que simplesmente me viram executar algumas coisas e me acharam merecedora de ouvir aquelas palavras. Confesso que todas aquelas frases que me parabenizavam, ou todos aqueles olhares de agradecimento junto com a confiança que me depositaram me envaideceram bastante, mas creio que não no sentido egoísta da vaidade, mas no sentido de 'eu estou conseguindo!', no sentido de satisfação; e todo este momento, toda esta 'áurea' positiva me proporcionou esta grande felicidade que citei acima. Mas tudo isso se esfriou quando, ontem, pude notar - talvez exageradamente - que todo aquele monte de palavras, todos os votos de confiança e elogios não eram o que eu realmente queria ouvir, ou melhor, não vinha de quem eu queria ouvir.
Alguns podem chamar de inveja, outros podem dar diferentes opiniões, mas o que eu vou citar agora eu encaro com um sentimento de 'exclusão', 'anulação'. Após parar e pensar no quanto todos aqueles reconhecimentos me fizeram bem, eu cheguei a conclusão que sim eu merecia alguns deles - outros talvez vieram apenas movidos pelo exagero- mas logo um fato que aconteceu, ou melhor, um fato ocorrido juntamente com outros que eu lembrei me fizeram congelar todo meu êxtase e felicidade.
Um sentimento de exclusão, algo que mostra uma certa desvalorização da minha presença - e a supervalorização de outros -, desvalorização do meu agir, da minha dedicação. E isso me incomodou. Incomodou muito!
Estar ali e não ser notava, estar ali e ser ignorada, estar ali e sentir que não há confiança, ver que a minha preferência não se encaixa realmente comigo, me levou a anulação de tudo que me disseram, todos elogios feitos. Tudo foi por água abaixo!
Talvez essa compreensão que fiz possa ser, na verdade, o oposto. Pode ser que há excesso de confiança, apenas não bem expressado. Mas o sensação de ser apenas um efeite, estar ali apenas para executar e ainda presumir que não há benfício nem vontade em 'notar-me' ali, me faz duvidar realmente se aquilo me faz bem, se aquilo realmente vale a pena.
Nasce daí a vontade avassaladora de perguntar, conversar e tomar nota do que realmente se passa na mente do outro, se todo esse meu mal-estar é em vão, se tudo que penso é na verdade o contrário. Mas aí vem a interrogação: não seria cedo demais?
Cedo para pensar tudo isso, cedo para me sentir merecedora, cedo para cobrar algo, cedo para uma avaliação, cedo para uma abordagem.. cedo pra tudo...?!

Toda essa inconstância me maltrata, me leva à uma auto-anulação.. me leva a derramar lágrimas.
Faz, tudo isso, parte do meu crescimento?
Eu quero uma resposta. Mas sei que ninguém me convencerá.
Estou de fato na lanterna dos afogados...





"Quando está escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar
há uma luz no túnel dos desesperados, há um cais no porto pra quem precisa chegar..." (Hebert Vianna)

sexta-feira, maio 14, 2010

Não voltará

Hoje eu passei por uma situação totalmente nostálgica. Estive presente e passei por lugares que realmente se revelaram como um filme em minha memória.
Precisei ir até uma loja que se localiza próxima ao meu antigo colégio, e por um grande ímpeto decidi alongar - e muito - meus passos.. fazendo com que eu caminhasse por lugares que realmente tinham marcado meus três anos naquela região. Pude ver cada detalhe e relembrar, como se estivesse acontecendo novamente cada fato passado. Pude ver os sorrisos de meus companheiros, e os meus também. Pude relembrar que ali ficaram momentos, risadas, choros, medos, conversas, segredos, confissões, amores, entre tantas coisas que nos permitimos viver.
Percorri aquele caminho e notei as mudanças que ocorreram - e diga-se de passagem que não faz muito tempo que saí dali - e constatar toda aquela diferença me senti como um idoso que relembra de sua juventude como se só ela existisse. Me retirei do hoje e voltei há três anos e percorri minha memória a cada dia que ali vivi.
Notei o condomínio que vi como projeto e que ao final do ano passado já estava entregue, com prédios altos, luxuosos, com famílias morando e seguranças na porta; e daí percebi que eu assistia por alguns segundos, toda manhã, pedreiros e empreiteiros trabalhando, se arriscando em grandes alturas e mesmo assim cantavam naquele lugar.. e pude ainda lembrar do meus olhares dislumbrados e ansiosos à espera de ver aqueles andares todos prontos e decorados.. e doeu constatar que nem meus singelos olhares com um ar de "eu participei" nem a presença desses pedreiros que levantaram todos aqueles prédios seriam bem-vindos naquele lugar. Agora só nos cabe admirá-los de longe.
Dali eu fui mais fundo passei em frente ao colégio e lembrei de tudo que vivi, de como eu cresci e de como mudei-me naquele lugar, com aquelas pessoas. Senti um aperto e uma saudade tão grande que por pouco não rolaram lágrimas sobre meu rosto - creio que o que me fez segurá-las foi o medo da pessoa que me acompanhava me achar uma criança desconsolada - e seguia eu ali contando um pouco de cada lugazinho para minha companhia desta tarde, como se eu fosse um guia turístico; como se tudo aquilo estivesse interessando pra ela.
E o que mais doeu foi saber que ali, onde eu construi um pedaço de minha história, eu não poderei mais entrar, não sem ser barrada..

Saudade de tudo...
Aí que saudade de estar ali e jogar apenas conversas ao vento...
Aí que saudade de saltitar quando um professor faltava para podermos estudar para a prova que viria...
Aí que saudade de caminhar às 7 da manhã com um fone de ouvido, chegar na sala e discutir sobre algo que eu nem sequer entendia...futebol...
Aí que saudade de cada minuto..
Aí que saudade..
Aí que saudade..

E saber que nada disso voltará se torna ainda mais angustiante. Se torna ainda mais desconfortável e agoniante.
Momentos passados, pedaços deixados: nada voltará.


Eu Amei estar ali!

Quem sou eu

Minha foto
A mesma de sempre com inúmeras alterações.